Música sugerida: Everytime We Touch (slow version - instrumental) - Cascada

Certa noite, uma mãe resolveu colocar a filha para dormir. Deitou a pequenina e a cobriu. Sorriu, apagou as luzes do quarto e começou a caminhar em direção à porta.

- Mãe...
- Sim?
- Conta uma história?
- Qual você quer ouvir?
- Uma diferente... Estou enjoada das histórinhas do livro.
- Tudo bem, vamos ver uma que você ainda não conheça.

Sentou-se na beira da cama e pensou por alguns instantes, até começar a relatar seu conto improvisado.

“Diz a lenda que havia uma garota que sonhava encontrar sua alma gêmea. Ela não era a mais bonita, nem a mais meiga e tampouco a mais inteligente. Era tão comum, mas tão comum, que chegava a ser estranha. Tinha seus momentos de bipolaridade, ora estava triste, ora estava alegre. O que ninguém sabia, era que até então, ela chorava quase todas as noites por culpa das fortes dores que sentia no peito. [...]”

- Ela era doente, mamãe?
- Calma, pequena. Continue ouvindo, apenas ouça.

“[...] Sentia-se vazia. Sozinha. Não conseguia mais ter esperanças em nenhum sentimento que ameaçasse virar amor. E mesmo assim, mesmo sendo insegura, corria atrás, porque sonhava que um dia tudo mudaria e teria a sorte de encontrar o amor da sua vida. Chorava por medo de nunca realizar esse sonho. Cada tentativa de amar deixou nela uma marca extremamente dolorosa. E assim seguiu, colecionando feridas internas e estampando um sorriso no rosto, para que ninguém se preocupasse.
    Em um belo dia, um rapaz começou a cortejá-la. Ela não levava muito a sério, chegava até a ignorar os dizeres do moço. Porém, eram tantas as demonstrações, que sem que ela pudesse perceber, seu coração foi aos poucos se entregando àquele sentimento. Ele enxergava nela todas as qualidades que alguém pode ter. Ela passou a confiar, a querer bem, proteger, acreditar e, enfim, amar. Ele era tudo o que ela havia sonhado, era perfeito, só tinha um único problema: moravam longe. Mas superavam a saudade, pois amavam-se incondicionalmente.
    Em um outro dia, não tão belo quanto o outro, depois de poucos meses de namoro, foram forçados a se separar. Sofreram, choraram, mas de nada adiantou, o pesadelo parecia não ter fim. Tiveram muito medo, mas juraram nunca esquecer um do outro. Ele prometeu a ela que tudo daria certo, que seriam felizes juntos, por mais difícil que parecesse. Ela acreditou. Eles lutaram pelo amor e pelos planos que tinham, resistiram até o fim e suportavam aquela situação com todas as esperanças que conseguiam arranjar. “

- Não teve final feliz?
- Teve sim, meu amor. Eles batalharam tanto para continuar juntos, que conseguiram o que tanto queriam. Casaram-se e construíram uma relação de confiança, carinho e companheirismo. Ainda têm seus problemas até hoje, mas tudo se ajeita sem maiores dificuldades.
- Nossa, eles existem de verdade até hoje?
- Sim. E são muito felizes. Principalmente com o presente que eles ganharam.
- Que presente?
- Você, querida.
- Eu? Eu os conheço?
- Conhece. Você costuma chamá-los por “mamãe” e “papai”.

 Ambas sorriram. Depois, se abraçaram. Era triste relembrar o passado e muito difícil resumir tudo para transformar aquilo em uma história para sua filha. Porém, era também motivo de orgulho, pois sabia que depois de tanto persistir, conseguira realizar seu sonho: Encontrou o alguém que a completava, que tornava seus dias lindos e alegres. Encontrou, mesmo que sem querer, o homem da sua vida e, por este motivo, nada nem ninguém foi capaz de separá-los efetivamente.
E se alguém quiser saber o porquê da história começar com “diz a lenda”, é fácil explicar: na opinião do casal, essa foi a história de amor mais complicada e mais bonita de todas. É um sentimento tão raro, que para eles, chega a ser lendário.



Oi galera... Então, eu, Carol, escrevi esse texto depois de ouvir uma música chamada "Lendas e Mistérios", por isso tive a ideia de usar o comecinho da letra numa parte do texto. Enfim, a maior motivação foi um problema pessoal que vem me tirando do sério e isso também não vem ao caso. Bom, é isso. Pelo menos imaginando que isso possa acontecer no futuro, fico um pouco mais calma. Tá bom, chega, né. Mil beijos. :3

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