Às vezes é só tristeza. Às vezes, de tanto doer, a alma quer
sair do corpo, soltar a carcaça corroída pelos sentimentos de infelicidade e ir
em busca de algo novo, algo que não doa ou que faça parar de doer. Porque na
verdade, quem sofre de amor é a alma. Você pode emagrecer por perder o apetite,
pode ter olheiras por deixar de dormir três noites seguidas para chorar, pode
passar mal a ponto das suas mãos tremerem e sua pele gelar de um momento para o
outro, mas na minha concepção, esses são os sinais de que a alma não suporta
mais o sofrimento e quer fugir.
Queria que houvesse um anestésico que me fizesse capaz de
esquecer o incômodo que as cicatrizes abertas no meu peito causam. Preciso
sumir e ficar a sós comigo mesma, reaprender a gostar de mim desse jeito, mesmo
que haja críticas, mesmo que a pessoa mais importante pra mim encontre defeitos
nas minhas atitudes. E se o meu mundo, em algum momento, perder o chão, não
haverá diferença nenhuma.
E aconteceu o pior. Eu, que antigamente era perfeita, deixei de ser. Deixei de ser amada, fiquei para trás. Levaram alguns dias até criar coragem de escrever sobre isso, porque sinceramente, senti uma dor tão grande dilacerando meu peito, meus sonhos, meus planos, minhas alegrias, meus sorrisos... Que lembrar doía. Chorar doía profundamente mais. Dormir era e ainda é um pesadelo, pois no silêncio e com os olhos fechados, involuntariamente minha mente traz à tona inúmeros momentos que me fizeram abrir os sorrisos mais sinceros que já dei, que me fizeram declarar os sentimentos mais puros que já senti um dia. E tudo se foi, como se fosse assim, simples. Porque ''eu não sei entender que acabou''. Talvez seja porque o ''pra sempre'', na minha cabeça, fosse de verdade, fosse eterno. Desistir não era uma opção. Não é uma opção para um amor de verdade.
E agora, fazer o quê? Sentimentos servem para ser ilustrados em textos, não na realidade, porque doem tanto, mas tanto, que você se arrepende de não ser uma pedra de gelo. Continuar chorando por algum tempo, até o gosto amargo sair da boca. Até esquecer algumas muitas palavras e gestos de afeto. Até ser apenas uma lembrança, guardada no fundo da memória. Vai demorar, claro que vai. E enquanto isso vai doer toda vez que eu lembrar. Mas aos poucos a gente acaba acostumando e a dor passa então a ser companheira. Tenho medo de deitar para dormir e talvez por isso esteja escrevendo isto às 5h24 da manhã.
Aprender a ser forte não é fácil. Crescer dói. Entender que acabou, caso você não saiba, dói ainda mais.