A dor de dente a estava matando. Era uma dor insuportável, dificultava até mesmo o pensar. Doía incessantemente, os remédios tinham efeito curto e nem disfarçavam a dor em sua totalidade. Ela se recusava a ir ao dentista por medo de sofrer mais, por medo de que ele a machucasse. Comer era difícil, dormir era difícil, falar era difícil e até engolir água era difícil. Tudo que ela queria era que a dor de dente sumisse.
Mentira. A dor de dente existia, mas era só um pretexto para poder chorar sem que descobrissem o verdadeiro motivo. Na verdade, o que a matava por dentro era a dor da alma; era a tristeza que a corroía. A esperança que ela tinha, era de que a dor de amor passasse com o remédio para a dor de dente. Mas não passava, nada era capaz de amenizar o incômodo.
Mas realmente, tudo estava difícil. Era difícil até de respirar sem ter vontade de chorar. E quando chorava, era um choro sufocado, desesperado, agoniado. Ela disfarçava quando se aproximavam, culpava o dente dolorido. Entretanto, mentir tão descaradamente também não ajudava a dor a passar, pois em sua mente tinha a consciência de que tanto sofrer jamais seria causado por um dente. E antes fosse o dente. Antes tivesse solução. Apenas... Antes.



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