Sinto uma enorme tristeza tomar posse de mim. Não sei como lutar contra essa força maligna que, sem pedir permissão, invade e devasta todos os meus sonhos e esperanças. É como se eu quisesse mas não conseguisse impedir. Como se eu pudesse e, mesmo assim, estivesse distante de conseguir. Acho que não tenho forças, não sei mentir para mim mesma. E acredite, inúmeras vezes tentei.
Às vezes, encontro em falsos sorrisos um esconderijo para minhas tristes e descontroladas lágrimas. Damas de ferro também choram, gritam, têm pesadelos e medos perseguidores. Até mesmo elas se arrependem de coisas que fizeram, ouviram ou falaram. Até mesmo elas, nem que seja uma única vez na vida, têm vontade de sumir da face da Terra, porque de vez em quando, viver em sociedade é terrivelmente solitário.
Às vezes é preciso recuar, é preciso aceitar os fatos do modo como eles realmente são. Doces ilusões podem ser tão amargas quanto o veneno mais barato e fatal. Pequenos sonhos transformam-se em grandes pesadelos sem que tenhamos a oportunidade de perceber.
Por um instante eu sonhei, desejei, planejei e sorri. Agora, perdidamente desorientada, sinto uma dependência que até chega a ser incômoda, mas que de certo modo, faz com que eu viva cada dia. Meus sorrisos estão intimamente ligados a você e anda cada vez mais difícil esconder isso. Minha alegria repentina só ocorre quando um certo alguém invade meus pensamentos. Um certo alguém, um alguém certo, tanto faz. Nesse ponto, eu já nem sei distinguir o certo do errado. Você é uma tentação, um pecado; uma conquista, um mero desejo. Tudo e nada, exatamente no mesmo tempo. É incompreensível o bem que me faz, mesmo sem ter consciência disso. Acho que é esse mistério que me atrai, que me tenta. E eu, pobre humana, não resisto a isso. E mesmo que quisesse, talvez nem chegasse a tentar. Talvez eu precise de um psicólogo. Ou talvez eu precise apenas de você.
Autoria: Carol
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