No final não sobrou ninguém. Um a um, aqueles em quem eu confiava, e que antes apresentava orgulhosamente como amigos, se afastaram. Distanciavam-se mais e mais a cada dia que passava até que finalmente, como se fosse à coisa mais natural do mundo, viravam-me as costas. A cada pessoa que partia a tristeza e o gosto da traição aumentavam assim como a humilhação e a dor que se multiplicavam a cada novo inimigo.
O ardor em meu peito aumentava a cada instante, sem nunca dar trégua. As lágrimas insistiam em rolar pelo meu rosto sem minha permissão, minha cabeça girava e parecia que ia explodir por conta do choro. O ar estava tão pesado e tão negativamente carregado que era quase impossível respirar. Aquilo tudo me fazia tão mal, que, de certo modo, senti-me aliviada quando não restou mais ninguém; assim ao menos eu não poderia mais ser traída.
Logo a solidão tratou de cobrir meu coração. Sentia como se caísse em um abismo inundado de escuridão sem fim. Não havia nada, nem ninguém lá. Nunca houve. Todos não passavam de mentirosos que não podiam se importar menos. De repente, todas as lembranças que tinha feito, e guardado com tanto carinho, não pareciam mais tão valiosas, eram apenas imagens que apareciam em minha mente. Sem sentimento e sem sentido.
Queria apagar tudo aquilo, cada palavra falsa, cada ação sem um pingo de importância, cada sentimento impuro, cada mentiroso... Mas principalmente eu queria me apagar. Apagar o “eu” que foi ingênuo demais, o “eu” que confiou, o “eu” que tantas vezes chorou por quem não valia a pena. Seria bom se houvesse de fugir de tudo, de sumir, de simplesmente deixar de existir... E havia, na verdade era bem simples também. E o que eu poderia perder se o fizesse afinal?Ninguém se importaria talvez ninguém nem sequer notasse que eu já não estava mais ali. Era doloroso pensa nisso, mas era a mais pura verdade. Eu fiquei realmente tentada a desistir de tudo. Parecia tão melhor do que continuar a lutar, e tão mais fácil... E talvez fosse o único modo de sair daquela profunda escuridão.
No entanto, não o fiz, tive medo demais até para tentá-lo. Medo do que aconteceria depois... Ou do que não aconteceria. E se tudo aquilo não terminasse mesmo se eu o fizesse? E se eu continuasse presa as trevas mesmo depois de desistir de tudo? Aqueles pensamentos foram assustadores demais pra mim, eu era apenas uma medrosa que fugia de tudo afinal.
Fui fraca. Não pude desistir. Não pude esquecer. Não pude deixar de sentir. E infelizmente, não pude deixar de sentir a dor daquele profundo ferimento em minha alma.
Então eu esperei. Esperei sozinha, nas sombras. Esperei, esperei, esperei e esperei. Aguardando o momento que alguém aparecesse para me tirar daquele abismo tão profundo e sombrio do qual eu não podia me libertar sozinha. Esperei por um longo tempo, até finalmente esquecer pelo que tanto esperava. Até esquecer que esperava tanto.
Não me recordo de quando o “alguém” chegou, ou se ele chegou... Talvez, ainda hoje, em algum lugar por entre as sobras eu esteja esperando que alguém atenda o meu silencioso pedido de socorro.
~*~
Nossa, faz tempo que eu não posto nada, hein? e.e
O texto de hoje ficou meio... Ahn sei la... Depressivo...?
A inspiração veio depois de termina de ler um mangá, que era muito triste... Então talvez seja por isso =/
Enfim, por enquanto é só. ^^
Bjoo, Yuh.
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